Muros da Cidade
(M. I. Carpi)
Pelas ruas da cidade
há traços que ninguém vê —
marcas gravadas em muros
de preconceito e solidão,
muros de crença,
muros de opinião.
São nossos próprios muros,
quase sempre mais altos
que os muros pichados
com a insatisfação,
aqueles que cercam, em silêncio,
a paisagem urbana.
E, no entanto,
mesmo entre rachaduras,
eles desvelam mistérios,
fragmentos do que somos,
vestígios da incompletude
humana.
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🌆 Leitura Poética — “Muros da Cidade”
Em “Muros da Cidade”, Maria Inês Carpi transforma o cenário urbano em metáfora da alma.
Os muros, elementos concretos do espaço público, tornam-se símbolos das fronteiras invisíveis que separam as pessoas — crenças, medos, silêncios.
O poema nasce da observação atenta, quase sociológica, mas ganha dimensão universal.
A autora sugere que os verdadeiros muros não estão no cimento, mas dentro de nós — nas intolerâncias, nos julgamentos, nas ausências de escuta.
A escolha por versos curtos e pausados confere um ritmo reflexivo, como se cada linha fosse um passo por entre as ruas vazias.
A sonoridade das palavras (“muros”, “marcas”, “mistérios”) constrói uma musicalidade discreta, que ecoa como um pensamento persistente.
No último verso — “vestígios da incompletude humana” — a poeta encerra o poema com lucidez e ternura.
Reconhece que os muros existem, mas também que, entre as rachaduras, ainda há luz.
Essa é a esperança silenciosa que percorre todo Caminhos de Mim: a busca por humanidade em meio ao concreto.

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